Pra quem gosta de comida japonesa…

Comentei no comeco da viagem que as comidas daqui eram muito boas. Minto. Elas sao espetaculares. As barraquinhas de rua sao as melhores de todas. A unica coisa realmente familiar que tem aqui é algo que sempre tive vontade mas nunca tive coragem de comer no Brasil, que é o churrasquinho grego (que, acredito eu, de grego nao tem nada, pq os caras que vendem aqui tem tudo cara de turco). Fora isso, algumas comidas mais familiares, outras completamente novas. O mais legal é ver as variacoes de cada prato de acordo com a provincia. Okonomoyaki, por exemplo, ja comi 3 tipos, Osakayaki, que é um okonomiyaki compacto, quase num formato de hamburger, o okonomiyaki de Mie, que é cheio de frutos do mar, como tudo que é de Mie e o incrivel Hiroshimayaki, que é gigantesco e vem com um belo ovo estalado em cima, interessantissimo. Udon tb ja comi umas variacoes interessantissimas, sendo que a mais interessante foi o de Mie, que vem com um caldo a base de shoyu bem grosso, e so no fundo.

Fora isso, os tradicionais sushi, sashimi e outros. Ainda estou para ir num daqueles restaurantes de esteirinha, pra ver qts pratinhos eu aguento comer e ver se no final eles tem o costume de deixar o cliente lavar os pratinhos pq nao tem mais dinheiro pra pagar a conta…

Bom, mais fotos, menos tagarelice, certo? Segue o desfile:

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Mitos sobre os japoneses

– limite de velocidade: em escala um pouco menor, é muito parecido com o Brasil, onde tem fiscalizacao, eu respeito.
– proibido fumar: em quase todos os onibus de turismo que andei, apesar dos avisos, graficos e textuais de que nao era permitido, o motorista simplesmente foi la e acendeu o cigarrao dele. Os melhorzinhos abriram a janela. O quarto em que estou agora é pra nao fumantes, no entanto, fede a cigarro.
– faixa de pedestre: depende muito onde estamos. Se estiver tranquilo, eles arriscam.
– pisca alerta aqui tb é permissao pra parar em local proibido.

Renovar para manter a tradicao

Outra coisa que chama muito a atencao aqui são as construcoes dos templos e outros predios tradicionais. Estao sempre muito bem conservados e em bom estado, mesmo sendo seculares e sendo de madeira. Isso tem muito a ver com a concepcao que o povo japones tem da arquitetura e da tradicao desses locais. Boa parte do que vou falar agora vem das reflexoes do amigo Dion que soube ver isso de uma maneira muito clara.

Aqui no Japao, as construcoes nao sao restauradas para que se faca de tudo para manter as construcoes que foram levantadas ha centenas de anos. Para eles, a tradicao é mantida nao atraves do predio que é construido, mas do conhecimento que é necessario para se construir aquele prédio. Isso quer dizer que eles nao tem problemas em derrubar um templo de tempos em tempos e reconstrui-lo novamente, contanto que isso seja feito com as mesmas tecnicas originais que foram utilizadas na construcao do templo original. Desse modo, o valor maior esta no conhecimento e não no objeto resultante desse conhecimento. E é exatamente isso que acontece em alguns templos onde, de 40 em 40 anos, as construcoes sao derrubadas e erigidas novamente.

A natureza e o japones

Uma das coisas que mais chamam a atencao aqui foi a relacao do povo japones com a natureza. Seja na tematica dos textos e livros didaticos, seja nos deuses da religiao xintoista, a religiao predominante do pais, seja nas expressoes usadas, seja no respeito que demonstram pelos seres, em todos os sentidos a cultura japonesa esta permeada de referencias a natureza.

Por exemplo, presenciei uma menina de 12 anos pegando uma aranha na mao que estava no meio do tatami e levando-a pra fora, algo impensavel de se ver no Brasil, meus alunos que estavam loucos pra matar o animal ficaram de olhos arregalados com a cena. Tambem nao consigo imaginar muitas meninas no Brasil fazendo algo assim.

Em todo o canto que podem, eles plantam flores e arvores e mesmo na incrivelmente urbanizada Tokyo, onde vi a maior concentracao de arranha-ceus da minha vida. Ou na cidadezinha do interior em que fiquei, onde absolutamente todas as areas nao agriculturaveis (existe essa palavra?) sao cobertas por pequenos bosques. Isso acaba dando uma cara completamente diferente pra cidade, que fica mais agradavel e bonita. Os grandes parques de Tokyo sao todos ligados ou aos templos e outras construcoes xintoistas, ou sao ligados ao imperador, e portanto, tambem a religiao xintoista.

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Em oposicao a visao ocidental, onde a natureza foi criada por Deus para que o homem possa usufruir dessa dadiva, no xintoismo a natureza é Deus. A relacao de hierarquia entre o homem e a natureza é completamente inversa. Isso se manifesta desde o sol, a sombra da arvore, a terra e outros elementos que aparecem em diversas expressoes ate a arquitetura é toda voltada para os jardins e para a valorizacao da natureza, os proprios templos tem jardins em seu interior, pois os japoneses entendem que essa harmonia é necessaria para que alguem possa atingir estados mais desenvolvidos dentro de sua crença.

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So o que penso nessas horas, sem nenhuma critica a alguma religiao especifica, mas muito mais ao modo ocidental de pensar, é como nossas cidades e mesmo a nossa sociedade como um todo seria diferente caso pensassemos assim tambem. E como isso é necessario hoje em dia! Quem sabe um dia chegamos la!

A privacidade japonesa

Uma das coisas mais engracadas aqui é o senso de privacidade dos japoneses. Em se tratando de um povo tao reservado, ha certas coisas aqui que me deixam um pouco admirado e, às vezes, um pouco desconfortavel. Alguns exemplos:

– Os banheiros publicos masculinos sao todos abertos e os mictorios ficam a vista dos passantes na rua. As assanhadas devem adorar.
– Uma das casas em que me hospedei tinha um banheiro do lado do outro e entre os dois, um buraco que comunicava os dois. Meteu a cara la, da pra ver do outro lado. E paredes finas como papel que nao abafam nenhum minimo som produzido pelo seu sistema digestorio. Sonoplastia garantida.
– É comum haver quartos com portas transparentes na parte de baixo. Legal qd a gente vai se trocar e tem gente passando do lado.
– Quase todas as portas de banheiros e lavabos, publicos ou privados, têm vidro translucido. Nao entendo se é pra quem esta fora ver que tem gente dentro ou se é pra travar quem esta dentro qd ve alguem do lado de fora.

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Vista EXTERNA do mictorio do trem bala

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Vista EXTERNA do banheiro masculino numa escola publica

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Vista do mesmo banheiro - note a incrivel vista para o estacionamento

Atualizacao: a coisa so piora. Em alguns restaurantes, ha um so banheiro. Num desses, fui ao mictorio, qd ouco a descarga ao lado, num espaco minusculo. Me apresso em acabar e sair. Qd saio, fiquei um tempo para ver quem saia e a pessoa nao saia, provavelmente esperando eu sair. Qd sai, esperei pra ver quem saia do lado de fora, era uma mulher.

Em outro caso, fui a um banheiro que ficava literalmente com os mictorios que davam para um corredor. A unica coisa que separava era uma cortininha de fitinhas que descia ate mais ou menos a altura da cabeça…

A visita ao Imperador

A visita ao imperador é um evento que ocorre uma vez por ano, no dia 2 de janeiro, quando os japoneses e qualquer outra pessoa que quiser entrar no palacio imperial sao autorizados a entrar. A quantidade de gente se encaminhando para o local, a atmosfera agitada do povo, a quantidade de bandeirinhas indicava que tomariamos parte de uma experiencia sem igual.

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Ao sair da estacao, o esperado, uma multidao que, mesmo para Tokyo, era de proporcoes gigantescas. O mais assustador ainda estava por vir, qd aos poucos iamos percebendo como os japoneses organizam essa multidao toda. Comecando com um corredor para se aproximar da area das filas, em seguida revista das bolsas na primeira linha, para depois uma revista de detector de metais e,  por final, fui revistado por uma mulher, educadissima por sinal, que me revistou minuciosamente, estranhissimo para um povo que mal se resvala mesmo no metro cheio.

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Em seguida, as filas vao sendo organizadas em quatro fileiras em cada baia, numerada de 1 a 20 e que vao saindo para o local onde  imperador aparece, sendo que assim que a baia acaba de sair, ja entra outro no lugar. Caminhamos para dentro do portoes do castelo e chegamos num local enorme, que parece que foi feito pra isso. Aguardamos 15 minutos e o cara aparece, é um delirio coletivo do qual ninguem consegue ficar impassivel. Gritos, bandeiras, dignos de um popstar teen que aparece na sacada do hotel.

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Uma energia toma conta de vc e acabamos gritando junto, agitando bandeirinhas. As nossas eram do Brasil e um emissario do imperador ja havia avisado o imperador que nos estariamos la, o que nos garantiu um longo momento de aceno do imperador para nos. Tudo isso provoca um efeito engracado em vc. Nao sei se por causa de sua humildade, ou por sentir como o povo ama essa figura, eu que sempre fui contra monarquias, me surpreendi em alguns momentos achando que aquele imperador tinha, de alguma maneira, legitimidade. Mais uma pra minha colecao de surpresas que estou acumulando aqui. E a viagem esta apenas comecando.

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Akemashite Omedetou Gozaimasu

…ou se preferir, Feliz Ano Novo!

Ao inves de ir comemorar a entrada de ano novo em Shibuya, onde acontece a contagem regressiva a la madison square, fui participar de uma comemoracao de ano novo no maior e mais importante templo shintoista de Tokyo. Chegamos antes de amanhecer, a cerimonia foi maravilhosa, com direito a sol nascendo no topo do templo e descendo, sake no final e musicos tocando uma musica pra la de oriental. Indescritivel o som do taiko de 3m de altura tocando e tremendo tudo no seu corpo. Maravilhoso. Nem mesmo o frio de 3 graus celsius que fez durante a cerimonia poderia fazer isso nao valer a pena.

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Oferendas de sake

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Oferendas de vinhos

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Taiko que treme o mundo

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Oferendas de sake

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Refeicao com ozoni e sake quente

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